Uma
História de Amor e Toc
Corey
Ann Haydu
Você
tem alguma mania repetitiva? Talvez, já tenha falando que era um “TOC”. Mas
você sabe o que é ter Transtorno Obsessivo e Compulsivo? Bom, acho que muitas pessoas não sabem
exatamente a definição dessa doença (sim, doença), como eu também não sabia. No
livro primeiro livro da autora Corey, apesar de pegar toda roupagem de livro de
amorzinho, e iniciativa de “uma história de amor”, seu caminho vai mais além e
dá um destaque válido aos transtornos abordados.
Bea.
Uma garota que já manja de vários
truques para controlar ataques de ansiedade. Vai ao psicólogo. Tem uma coleção
de recordes de notícias e objetos significativos para ela. Precisa anotar
detalhes de conversa. Satisfaz-se relendo elas. Dirige na mínima velocidade
possível. E está relutante em começar uma terapia em grupo.
Beck.
É viciado em academia. Muito viciado. Malhado. Tem compulsão com limpeza. Faz
tudo em séries de oito. Teve seu primeiro ataque de pânico num ginásio escuro.
Bea que o ajudou. Ele também começará terapia em grupo.
A
história de amor começou depois de um ataque de pânico do Beck no ginásio
escuro, pelo qual Bea o ajudou a superar. Mas quem diria que o destino gosta
também de repetições e os dois iam se encontrar logo no momento em que ambos
estão tentando lidar com suas complicações? Pois, foi na terapia que a história
de amor e TOC aconteceu.
O
TOC dos dois, entretanto, veio muito antes. E acho importante escrever essa
resenha falando mais sobre as linhas do transtorno obsessivo compulsivo do que
as cenas de amorzinho, porque foi o que mais senti ao ler o livro. Antes de
todos os encontros, amores superações, o livro traça dois perfis verdadeiros e
escancarados do que é sofrer de um transtorno obsessivo compulsivo.
Ele
desenha o quanto a Bea pode mergulhar sua obsessão e leva-la a um nível
incontrolável. Não porque ela era doida, não porque ela queria, mas porque ela
sofria pela doença. Na capa do livro, compondo a arte de fundo está escrito
“Não vou stalkear esse cara”. Quem tem
um crush, redes sociais e afins, sabe que repetir esse mantra é uma luta em
favor do desapego. Convenhamos, todo mundo já deu aquela espiadinha normal em
perfis de garotos. Mas, para além de qualquer checada em Face Book, Twitter e
Instagram é você seguir uma pessoa. Observá-la por horas. Anotar cada detalhe.
Bea já fez isso com antigo namorado. Bea faz isso com uma obsessão platônica em
um casal astro de rock que frequentava sua terapeuta.
Já
o Beck não era stalker, mas sofria com o fator “limpeza”. Ninguém podia tocar
nele, ele sempre tinha que lavar a mão. E em séries de oito. Oito em tudo. Oito
minutos de banho – e se passar de oito, só depois de 88 minutos -, oito
ligações, oito, oito, oito, oito, oito, oito, oito, oito.
O
livro cumpre um papel ousado em descrever e trabalhar esses perfis. Até demais
assim como a compulsão do próprio TOC. E para quem acha que essa sigla podia
designar qualquer mania ou tiques do dia a dia, o livro te traz a oportunidade
de vê-la como doença. Ele expõe os sintomas e traz ou outra visão; mais que uma
superficialidade encoberta pelo romance. E talvez seja por isso que o livro
possa não agradar a muitas pessoas. Há a negação quanto à doença, há o
afastamento das pessoas diante do reconhecimento desses atos, há dúvida e há
luta.
Nesse
caminho, em que um descobria no outro as manias, vivia a luta, se incomodava e
ajustava, eles iam se ajudando. Foi aí que o fator “história de amor” mais
valeu. Porque nos transtornos, nas complicações, naquilo que os afetavam juntos
ou separadamente, eles se construíam.
“(...)
está com medo e espantado com a dura realidade do mundo ao seu redor e com a
pureza da beleza.” – Página 310
Interessante
também é que o livro traz um motivo. Nada que aconteceu para eles estarem no
meio daquela confusão comportamental foi em vão.
“Terapeutas
acham que tudo é um mecanismo de defesa” – Página 32.
Entrar
nessa complexidade dessas consequências também foi uma abordagem séria e
profunda a se considerar.
O
que mais me tocou fundo e trouxe a realidade do transtorno obsessivo-compulsivo
era a necessidade do “fazer”. Seja do stalkear, do ir à academia ou escrever.
Se não fizesse era como se a pessoa fosse morrer, acontecer algo ruim, perder o
ar. Em contra ponto e mostrando a superação disso, mostrava também o quanto
tratamento de exposição pode ser duro e difícil, mas pode existir e ser uma
pontinha de luz no infinito da ansiedade.
“O
Homem Ansiedade de 140 quilos está sentado no meu peito outra vez, comprimindo
meus pulmões e dificultando a respiração.” – Página 223
Não
vou negar que esse livro caiu na minha mão no momento em que mais precisava ler
sobre o assunto. Também sofro de ansiedade (mais precisamente de ansiedade paroxística episódica)
e ler sobre o assunto num estilo young
adult ativou aquele lado de representatividade, sabe? Sem falar da vontade
de procurar mais pelo assunto e entender as pessoas que passam por isso. Sem
falar da chance de desmistificar um pouco as doenças ligadas à ansiedade e à
mente: Precisamos esclarecer, levar a sério, buscar tratamento e ter apoio.
E
acima de tudo saber que temos a chance superá-las ou trabalhar para isso. O
progresso e as tentativas são a verdadeira História de Amor no meio do TOC.
-
Paula
Joane





Gente, amei essa resenha. Inclusive pretendo colocar esse livro na minha wishlist, hehe.
ResponderExcluirObrigada, JSant! :D
ExcluirPois coloque, e vamos discutir sobre ele. uAUSHUAHs
Bjos :*
#Paula
Gente, amei essa resenha. Inclusive pretendo colocar esse livro na minha wishlist, hehe.
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