Você olha ao seu redor: uma confusão de luz, calor e sons.
Você olha pras pessoas à sua volta: nada do que
elas fazem faz sentido.
Você de repente se sente espremido e vai pra
janela respirar.
Você olha pela janela: Nada que valha a pena
olhar.
Você olha pra si mesmo: tronco e membros que,
apesar de jovens, parecem incapazes de te sustentar.
Você não se lembra do motivo de estar ali. Tudo o que sabe
é que antes disso estava dormindo. Você dormiu o dia inteiro, seu corpo tem
armazenado toda a energia de que precisa. Mas lhe falta alguma coisa pra ser
capaz de fazer qualquer movimento que seja.
Enquanto isso, qualquer pessoa que não seja você
veria uma casa à beira-mar, com as janelas voltadas para um pôr do sol
esplêndido. Dentro da casa, corpos se balançam e riem ao som da música. A
imagem da típica diversão jovem.
Mas não é isso o que você vê. Pra todos à sua volta, tudo
está perfeito. Pra você, no entanto, algo está faltando, e nem você sabe
exatamente o que é. Isso te irrita: quantas e quantas vezes você esteve em
lugares como aquele, e os momentos foram perfeitos, divertidos? Quantas e
quantas vezes você dançou e riu tanto que nem viu as horas passarem? Quantas e
quantas vezes você viu o crepúsculo se transformar em alvorada, e sentiu a
perfeição de tudo quando isso aconteceu? Foram incontáveis as vezes em que
essas coisas aconteceram. O que há de diferente hoje, então, pra que nada à sua
volta pareça certo, faça sentido?
Você sente uma vontade imensa de ir pra casa e se deitar. Mas é impossível que seu corpo precise disso, afinal, você dormiu o dia inteiro. Ainda assim, a palavra "cansaço" te ronda, te persegue. Você tem a sensação de que esteve em uma montanha russa gigantesca, está tonto com tantas subidas, descidas, guinadas, loopings... Existe ainda alguma coisa que está onde deveria estar?
Você desiste e vai pra sua casa, pra sua cama. Deitado, você se lembra de todos os acontecimentos mais recentes, e sente de novo na montanha russa: as subidas marcadas pela expectativa inquietante, as descidas desenfreadas que te assustam e te desesperam, os momentos de calmaria, quando tudo parece terminado, e então uma guinada quase te arranca dos trilhos e você se vê lançado no desespero, no frio, na tristeza. A noite chega, e você continua assim. Vem a madrugada, e lá está você, na mesma situação.
Você sente uma vontade imensa de ir pra casa e se deitar. Mas é impossível que seu corpo precise disso, afinal, você dormiu o dia inteiro. Ainda assim, a palavra "cansaço" te ronda, te persegue. Você tem a sensação de que esteve em uma montanha russa gigantesca, está tonto com tantas subidas, descidas, guinadas, loopings... Existe ainda alguma coisa que está onde deveria estar?
Você desiste e vai pra sua casa, pra sua cama. Deitado, você se lembra de todos os acontecimentos mais recentes, e sente de novo na montanha russa: as subidas marcadas pela expectativa inquietante, as descidas desenfreadas que te assustam e te desesperam, os momentos de calmaria, quando tudo parece terminado, e então uma guinada quase te arranca dos trilhos e você se vê lançado no desespero, no frio, na tristeza. A noite chega, e você continua assim. Vem a madrugada, e lá está você, na mesma situação.
É, meu amigo, tenho aqui um segredo pra te contar: seu
coração também se cansa. Esse cansaço que te ronda é emocional e, ao contrário
do físico, ele não pode ser sanado com uma boa noite de sono. Esse tal cansaço
emocional é o que tem feito teu mundo parecer fora do lugar... E, pra que você
volte a ser você, seu coração precisa descansar.
Por isso, tire esse sapato apertado e corre ali pra areia fofa. Isso, vai, corre sozinho em direção ao mar! Vai deixando pra trás cada pensamento ruim que te ocorreu, deixe a areia morna absorver tudo de ruim que você passou. Sinta os primeiros raiozinhos de sol te tocarem, e deixe que eles façam seus lábios sorrirem, depois de tanto tempo congelados numa careta. Vai, abraça as ondas, deixa Iemanjá lavar tua alma, meu pequeno amigo! Joga no mar tudo aquilo que tem te feito mal, tudo aquilo que fez seu coração oscilar tanto ultimamente.
De alma lavada, agora, volte pra areia. Deite-se ali, observe o céu azul-madrugada que vai clareando, dando espaço pra aquele azul-algodão-doce claro e puro tomar conta de tudo. Deixe seu coração ir clareando gradualmente, como o céu à sua volta. Longe de tudo e de todos, absorva a pureza daquela natureza perfeita que te cerca. Seu coração está descansado, agora. Está em paz. Você já pode ser você mesmo de novo.
Por isso, tire esse sapato apertado e corre ali pra areia fofa. Isso, vai, corre sozinho em direção ao mar! Vai deixando pra trás cada pensamento ruim que te ocorreu, deixe a areia morna absorver tudo de ruim que você passou. Sinta os primeiros raiozinhos de sol te tocarem, e deixe que eles façam seus lábios sorrirem, depois de tanto tempo congelados numa careta. Vai, abraça as ondas, deixa Iemanjá lavar tua alma, meu pequeno amigo! Joga no mar tudo aquilo que tem te feito mal, tudo aquilo que fez seu coração oscilar tanto ultimamente.
De alma lavada, agora, volte pra areia. Deite-se ali, observe o céu azul-madrugada que vai clareando, dando espaço pra aquele azul-algodão-doce claro e puro tomar conta de tudo. Deixe seu coração ir clareando gradualmente, como o céu à sua volta. Longe de tudo e de todos, absorva a pureza daquela natureza perfeita que te cerca. Seu coração está descansado, agora. Está em paz. Você já pode ser você mesmo de novo.
Julie Hevellyn

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